Áustria transforma casa onde Hitler nasceu em delegacia; VÍDEO
A cidade de Braunau, na Áustria, transformou a casa onde Hitler nasceu em uma delegacia de polícia, que iniciou suas operações nesta quarta-feira (22). Com a ação, o governo lo...
POR G1 MUNDO
Publicado em 22/07/2026 às 10:04
A cidade de Braunau, na Áustria, transformou a casa onde Hitler nasceu em uma delegacia de polícia, que iniciou suas operações nesta quarta-feira (22). Com a ação, o governo local buscou impedir que o local sirva como um ponto de encontro e peregrinação para neonazistas. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp Após anos de debate sobre a grande casa geminada tradicional na cidade de Braunau am Inn, que era de propriedade privada e abrigava uma instituição de caridade para pessoas com deficiência, a Áustria realizou uma desapropriação em 2017 e anunciou, em 2019, que o imóvel seria reformado e transformado em delegacia. Mesmo antes da conversão, o único sinal de sua importância histórica era uma pedra na calçada, proveniente do campo de concentração de Mauthausen, com a inscrição “Fascismo nunca mais”, porém sem mencionar Hitler. A pedra permanece no local. A única indicação acrescentada à fachada branca diz “Polícia”. “O objetivo foi evitar qualquer associação com Adolf Hitler, para retirar esse caráter mítico”, disse a jornalistas Stephan Mlczoch, chefe do departamento de história do Ministério do Interior da Áustria, durante uma visita ao prédio. Agora no g1 Culto à personalidade Esse caráter simbólico foi incentivado pelo culto à personalidade de Hitler promovido pelos nazistas, sob cujo regime a chamada “casa de nascimento do Führer” foi transformada em museu de arte. Hitler viveu ali por apenas algumas semanas em 1889, antes de sua família se mudar, disse Mlczoch. “A polícia atual, nossa polícia federal austríaca, é o exato oposto do simbolismo ligado a este local. Nossa polícia representa a democracia e o Estado de Direito”, afirmou o ministro do Interior, Gerhard Karner, na cerimônia de inauguração. Passantes costumam parar para tirar fotos, mas suas opiniões sobre Hitler geralmente não são conhecidas. Autoridades locais afirmaram que hoje há apenas “incidentes isolados” envolvendo visitantes, menos do que antes. Sem dar mais detalhes, destacaram que a saudação nazista e outros símbolos do nazismo são proibidos na Áustria. Questionado sobre a reação da população ao projeto, o prefeito Johannes Waidbacher disse à Reuters: “Acho que, no geral, os moradores de Braunau aceitaram e conseguem conviver com isso”. Waidbacher integrou uma comissão que recomendou que o prédio tivesse uso assistencial ou administrativo. No fim, instalar ali uma entidade beneficente o tornaria acessível demais ao público, afirmou. “Acho que não é uma má abordagem, mas se vai funcionar como todos esperamos, teremos que esperar para ver”, disse. Nunca mais ou vamos esquecer? Há oposição à iniciativa, inclusive do Comitê de Mauthausen, principal grupo de sobreviventes do Holocausto na Áustria, que argumenta que uma delegacia é inadequada e que deveria haver mais esforço para destacar os crimes de Hitler. “Todo ano, no memorial do campo de concentração de Mauthausen, há uma cerimônia para dizer: nunca mais. E em Braunau estão dizendo: vamos esquecer o mais rápido possível”, afirmou Robert Eiter, do Comitê de Mauthausen e da Rede Contra o Racismo e o Extremismo de Direita. Durante décadas, a Áustria sustentou que foi a primeira vítima do nazismo, ao ser anexada pela Alemanha de Hitler em 1938. Hoje reconhece que austríacos também foram perpetradores, mas raramente aprofunda essa discussão. “O mundo não vai esquecer onde nasceu o maior assassino em massa da história. A Wikipédia não vai mudar isso”, disse Eiter, acrescentando que não haverá redução no número de neonazistas que fazem “peregrinação a Braunau”. Alguns moradores locais questionaram a conversão. “Eu teria preferido que fizessem outra coisa, mas é o que é”, disse Irene, de 74 anos, acrescentando que gostaria que a instituição de caridade tivesse permanecido no local. A maioria, porém, demonstrou apoio. “É ótimo, uma boa ideia”, afirmou o corretor de imóveis Thomas Spreitz. “De vez em quando havia grupos (neonazistas) ali, e agora isso é coisa do passado.”