“Ubi est lex?” –
O Poder Judiciário e a justiça das relações [patrimonialismo]Em 2017, ao encerrar o seminário “Diálogo entre Cortes: fortalecimento da proteção dos direitos humanos”, promovido pel...
POR O ESTADO
Publicado em 02/07/2026 às 08:54
O Poder Judiciário e a justiça das relações [patrimonialismo]
Em 2017, ao encerrar o seminário “Diálogo entre Cortes: fortalecimento da proteção dos direitos humanos”, promovido pela Enfam, no auditório do STJ, o ministro Luís Roberto Barroso criticou a falta de ética na vida pública: “A corrupção é um atalho que não se deve pegar. É impossível não se ter vergonha pelo que está sendo feito no Brasil, mas é preciso fazer uma reflexão crítica e severa para se encontrar um projeto que nos honre como país, como nação.”
É importante destacar aqui, meus companheiros e companheiras de jornada, que essa preocupação não é exclusiva de Luís Roberto Barroso. Segundo o jurista carioca Raphael C. Brum, a corrupção é uma ameaça séria ao Estado Democrático de Direito. Quando membros do Poder Judiciário são corruptos, eles podem minar a credibilidade do sistema judicial, violar os direitos fundamentais dos cidadãos e prejudicar a integridade das instituições democráticas.
Ela pode assumir várias formas: juízes que aceitam subornos para tomar decisões favoráveis a uma das partes em um caso; magistrados que concedem liberdade condicional ou reduzem penas em troca de pagamentos; ou até mesmo casos de tráfico de influência para obter favorecimento em decisões.
Independentemente da forma que a corrupção assuma, seus efeitos podem ser desastrosos para a democracia. Quando os juízes são corruptos, as decisões judiciais deixam de ser imparciais e justas, gerando na população a sensação de que o sistema judicial não funciona como deveria. Isso pode minar a confiança nas instituições democráticas e incentivar a busca de soluções fora do Estado de Direito, como a justiça com as próprias mãos.
Além disso, continua Brum, a corrupção no Judiciário pode levar à violação de direitos fundamentais, como o direito à igualdade perante a lei e à proteção judicial. Quando um juiz é corrompido, ele pode tomar decisões que favoreçam uma das partes em detrimento da outra, violando a igualdade perante a lei. Ademais, quando juízes são corrompidos, pode haver relutância em denunciá-los, o que prejudica o acesso à justiça para aqueles que dela necessitam.
Por fim, a corrupção pode minar a integridade das instituições democráticas. Se os membros do Judiciário são vistos como corruptos, isso pode levar a uma crise de confiança nas instituições em geral. Além disso, quando não é combatida de forma eficaz, pode se espalhar para outras esferas do poder público, criando um efeito dominó de corrupção.
“Ubi est lex?”
FERNANDO MAGALHÃES
ASS. TÉC. DA ALECE
The post “Ubi est lex?” – appeared first on O Estado CE.