‘Tudo lotado de lama’: operador de drones relata dificuldades em resgates em túneis no Nepal
Soldados do exército nepalês durante uma operação de resgate no túnel de um projeto hidrelétrico em Upper Trishuli. Exército do Nepal via AP O cineasta e piloto de drones M...
POR G1 MUNDO
Publicado em 01/09/2026 às 08:25

Soldados do exército nepalês durante uma operação de resgate no túnel de um projeto hidrelétrico em Upper Trishuli.
Exército do Nepal via AP
O cineasta e piloto de drones Manish Maharjan entrou no Nepal pelo Tibete, na China, pela passagem de fronteira de Rasuwagadhi, a mais próxima do local onde começaram as enchentes catastróficas da semana passada. Ele estava no país havia dois dias quando a tragédia aconteceu.
Ao voltar para casa, Maharjan passou a usar seu trabalho para ajudar nas operações de resgate em uma região que conhece bem por causa das viagens que fez ao longo dos anos.
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Um dia depois das enchentes, ele se juntou às equipes de resgate do Exército do Nepal. Desde então, utiliza drones equipados com câmeras térmicas para ajudar a localizar pessoas desaparecidas.
Segundo ele, pelo menos 900 trabalhadores continuam desaparecidos em 12 projetos de usinas hidrelétricas soterrados por lama e destroços. Cerca de 500 deles estariam presos dentro de túneis de usinas.
Os drones ajudaram a localizar pessoas isoladas em encostas e outros locais de difícil acesso, incluindo cavernas. Em alguns casos, Maharjan usou alto-falantes acoplados aos equipamentos para chamar os sobreviventes.
“Usamos alto-falantes para chamá-los. Em alguns lugares, até colocamos músicas e esperamos por uma resposta. Funcionou em alguns casos e nos ajudou a localizar pessoas”, afirmou.
Apesar de ter conseguido ajudar no resgate de pessoas em áreas abertas, Maharjan disse que procurar sobreviventes dentro dos túneis é muito mais difícil.
“Descobrimos que os túneis estavam cheios de lama, como pasta de dente dentro de um tubo. Não havia nenhum espaço vazio lá dentro”, relatou.
As enchentes de 26 de agosto começaram após o colapso de uma geleira em uma área de alta montanha do Himalaia. Cientistas que analisaram imagens de satélite afirmaram que uma parte da rocha sob a geleira desmoronou, levando parte do gelo com ela.
O deslizamento de rochas foi tão intenso que provocou um evento sísmico de magnitude 5,2.
As rochas e a água do degelo aumentaram o volume dos rios nos vales abaixo, provocando uma forte correnteza que atingiu áreas do Tibete e do Nepal. A enchente destruiu ou danificou infraestruturas importantes, como usinas hidrelétricas, estradas, prédios e pontes.
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Alguns trabalhadores que estavam nos túneis das usinas conseguiram pedir ajuda quando a enchente começou. Outros que conseguiram escapar disseram que colegas permaneciam presos no interior das estruturas, segundo Mohan Kumar Dangi, presidente da Associação de Produtores Independentes de Energia.
Não está claro se as equipes de resgate conseguiram estabelecer contato com os trabalhadores presos desde os primeiros pedidos de socorro.
Com o passar do tempo, os resgatistas encontram cada vez mais dificuldades para localizar os desaparecidos. Especialistas afirmam que as primeiras 72 horas são decisivas, já que as chances de sobrevivência diminuem sem acesso a água potável. A disponibilidade de ar respirável também é essencial.
Maharjan afirmou que as buscas nos túneis são dificultadas pelo acesso complicado e pela falta de espaços vazios.
“Só consigo pilotar drones em túneis longos e retos. Quando há curvas, desvios ou zigue-zagues, fica muito mais difícil operar e fazer uma busca eficiente”, disse.
No projeto hidrelétrico de Rasuwagadhi, Maharjan conseguiu enviar um drone para dentro do túnel e fazê-lo avançar até o final da estrutura. Nenhum sinal de vida foi encontrado.
“Verificamos várias vezes, mas estava tudo cheio de lama e destroços. Ao olhar para aquilo, só conseguia imaginar a força da enchente”, afirmou.