“Shaolin do Sertão 2″ promete sacudir as telonas com humor e kung fu à brasileira
O universo de Aluízio Li está de volta às telonas misturando humor regional e grandes expectativas para agitar as bilheterias nacionais no próximo dia 20 de agosto The post “Shaoli...
POR O ESTADO
Publicado em 07/08/2026 às 08:31
Quase uma década após conquistar o público e lotar salas de cinema com a saga do sonhador Aluízio Li, o diretor Halder Gomes está de volta ao universo que celebrou o humor e as artes marciais no sertão cearense. Em “O Shaolin do Sertão 2: A Voadora 360º”, a promessa é de rir ainda mais alto, mas com uma reviravolta digna de drama cômico.
Em entrevista exclusiva ao Jornal O Estado, o cineasta abriu o jogo sobre os bastidores da continuação mais esperada do cinema nacional, os desafios de reunir uma seleção de peso, que vai desde o núcleo clássico até nomes como Marcelo Serrado, Priscila Fantin e o lutador de MMA Lyoto Machida.
Ambientada na década de 1990, a trama reencontra o inconfundível Aluísio Li (interpretado novamente com muita energia por Edmilson Filho) em uma fase bem pouco heroica. Longe dos tempos de glória, o protagonista enfrenta a decadência financeira: afundado em dívidas e com sua academia confiscada, Aluízio vê o sonho de conhecer a terra de suas referências, a China, parecer cada vez mais distante.
“Então, 10 anos depois a gente traz essa história, no mesmo tempo que se passou na vida real, é o tempo que se passou na história do filme no lugar onde esses personagens então. E a vida e o tempo é o tempo é o senhor de tudo, e o tempo é o que diz tudo pro bem ou pro mal. Então, a gente faz um recorte ali de 10 anos da vida do Aloísio e que a gente não viu o que aconteceu, mas imagina o que aconteceu onde começa esse filme. E o pobre começa toda quebrado”, destaca Halder Gomes
A virada na história acontece quando um empresário de lutas surge com uma proposta irrecusável: uma série de combates itinerantes pelo interior. É o pontapé inicial para uma jornada repleta de confusões, golpes plásticos e o humor afiado característico da parceria entre Halder Gomes e o roteirista L.G. Bayão.
Segundo o cineasta, o novo capítulo da franquia explora as consequências de uma década marcada por decisões precipitadas. Para o diretor, a força de Aluízio nunca esteve apenas na técnica de combate, mas sim em sua inesgotável capacidade de sonhar, uma característica que, paradoxalmente, também o colocou em apuros.
“Ele fez tomou decisões erradas e se arriscou demais em certos momentos e a vida cobrou a conta e ele tem que encarar. E é interessante porque assim, Aluísio Li sempre foi um cara de muita superação, um sonhador que não acredita nos limites e às vezes quando a gente não tem noção do que são os limites, pode tropeçar. Mas ele acima de tudo é um cara muito correto, muito digno, muito ingênuo e isso fez com que a vida fosse cruel com ele em alguns momentos, por esse excesso de ingenuidade. Mas ele tá disposto a dar volta por cima e vai reunir sua trupe de novo para tentar voltar o a ser o Aloísio Li de o Shaolin do Sertão 1”, afirma o cineasta.
Aprofundando a proposta estética e narrativa do novo filme, Halder revela que a continuação aposta em uma cominação calibrada de tons, aproveitando as riquezas paisagísticas do estado do Ceará para transformar a jornada de Aluísio Li em uma verdadeira viagem cinematográfica. Com uma estrutura que promete unir dinamismo visual e forte apelo popular, a produção carrega a confiança total de seu criador. Ao avaliar o resultado final do projeto, Gomes não hesita em projetar o impacto da obra junto ao público.
“Mais do que fazer filmes, a gente cria e universos. É muito legal poder criar esses universos, porque a gente pode manipular da forma que a gente quiser, porque existe assim um uma compreensão de que o que tá ali, tudo é possível. Então, a gente traz muita comédia acima de tudo, muita seriedade, muita ação, e muita beleza das belezas naturais, que o filme ele é um road movie, ele anda pelo Ceará, a gente traz isso de uma forma muito muito rica, personagens muito divertidos, muitas cores, muita alegria acima de tudo. É um filme muito divertido, muito prazeroso de assistir. Eu sou suspeito para falar, mas eu posso assim dizer ao meu olhar de realizador, é, eu acho melhor do que o primeiro”, conta o cineasta.
Como o tempo passou dentro da ficção, exigiu adaptações naturais no núcleo jovem da história, além da introdução de novos talentos. O diretor comenta sobre a evolução do ator Igor Jansen, que integrou o primeiro filme ainda na infância: “O Igor Jansen agora cresceu, né? As pessoas perguntam: ‘Rapaz, o Igor tá no filme? Eu não vi no trailer’, mas claro, porque o cara cresceu, agora é um homem.”
Para preencher a lacuna dos personagens mirins, a produção aposta em uma nova revelação. “Aparece agora o micróbe, que é o João Pedro Frota, ator mirim e revelação incrível que agora faz o personagem aluno fiel do Aluísio Li”, aponta o cineasta. Contudo, a grande cartada para elevar o nível de desafio do protagonista veio direto do esporte de elite global. Halder Gomes destaca a participação mais do que especial que coroa o enredo marcial do longa.
“A gente tem participações especiais especialíssimas, né, sendo redundante, porque são tantos especiais que a gente precisa acrescentar essa outra palavra: o Lyoto Machida, nosso campeão, lenda do mundo das artes marciais, campeão do UFC, um dos maiores lutadores de UFC de todos os tempos, está no filme com a gente para fazer esse desafio se tornar ainda mais possante para o Aluísio Li.”
Consolidado como um dos principais nomes na expansão do cinema comercial fora do eixo tradicional, o diretor celebra o impacto cultural de suas obras. Mais do que entreter, O Shaolin do Sertão 2 chega aos cinemas reafirmando a força, a resiliência e o orgulho de ver as gírias, os cenários e a cultura nordestina brilhando nas telonas do Oiapoque ao Chuí.
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