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Ceará / 20.10.2026

‘’Ninguém trai a sua classe’’, afirma senador Cid, ao falar sobre o compromisso do presidente Lula com os mais pobres

O senador reeleito Cid Gomes (PSB-CE) afirmou, nesta terça-feira (20), em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que a trajetória pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuda ...

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POR CEARÁ AGORA

Publicado em 20/10/2026 às 10:11

‘’Ninguém trai a sua classe’’, afirma senador Cid, ao falar sobre o compromisso do presidente Lula com os mais pobres
© FONTE: Ceará Agora

O senador reeleito Cid Gomes (PSB-CE) afirmou, nesta terça-feira (20), em entrevista ao Jornal Alerta Geral, que a trajetória pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajuda a explicar, na avaliação dele, a prioridade dada pelo petista às políticas voltadas à população de menor renda.

Cid também fez uma defesa enfática da redução da jornada semanal de trabalho e afirmou acreditar que os dois dias de descanso poderão elevar a produtividade dos trabalhadores.

Na conversa com o jornalista Luzenor de Oliveira, Cid abriu a entrevista recorrendo a uma reflexão sobre origem social e comportamento político.

“Um grande filósofo, cientista político, disse assim uma vez: ninguém trai a sua classe. Eu corrigiria: muito raramente alguém trai a sua classe. O Lula é um trabalhador, nasceu pobre, miserável, e sempre terá, por vivência, a sensibilidade, a solidariedade, a empatia com os mais pobres”, afirmou.

Ao comparar Lula com seu adversário no segundo turno, Cid fez críticas duras a Flávio Bolsonaro e à trajetória política da família Bolsonaro. Segundo o senador, existe uma diferença de visão sobre o papel do Estado, dos trabalhadores e da distribuição de renda.

Cid argumentou que até mesmo o empresário que busca crescimento deveria desejar melhores salários e maior renda para os trabalhadores, porque, em sua avaliação, isso fortalece o consumo, a produção e o emprego.

“O bom empresário, até por inteligência, deve querer que o povo ganhe mais. Porque, se o povo ganha mais, vão comprar mais dele. Ele vai poder vender mais, produzir mais e contratar mais gente”, afirmou.

Para Cid, esse processo cria o que chamou de “círculo virtuoso do bom capitalismo”, com aumento da renda, expansão do consumo, maior produção e geração de empregos.

CID DEFENDE REDUÇÃO DA JORNADA

Um dos principais temas da entrevista foi a mudança constitucional na jornada de trabalho.

Cid fez uma comparação histórica com outras alterações na legislação trabalhista brasileira. Lembrou a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), na década de 1940, quando a jornada semanal foi disciplinada, e a redução promovida pela Constituição de 1988, de 48 para 44 horas semanais.

Segundo o senador, previsões de prejuízos generalizados feitas em outros momentos não se confirmaram.

“Na Constituição de 88, baixaram de 48 para 44. Disseram que o Brasil ia se acabar, não se acabou. Então, de 44 para 40, eu, sinceramente, acho que ninguém vai morrer, um empresário, por conta de quatro horas a menos na sua escala de trabalho”, declarou.

Cid afirmou acreditar que a redução da jornada, acompanhada de dois dias de descanso semanal, poderá trazer ganhos de produtividade.

“Uma pessoa, tendo dois dias de descanso, vai ter uma produtividade melhor. Mesmo trabalhando menos horas, mas com dois dias de descanso, sem o sufoco, eu acredito firmemente que a produtividade dos trabalhadores vai aumentar”, disse.

O senador observou ainda que a jornada do trabalhador não se resume ao período dentro da empresa. Segundo ele, muitas pessoas gastam horas diariamente nos deslocamentos entre casa e trabalho, utilizando ônibus, motocicletas e outros meios de transporte.

EMPRESAS TERÃO DE FAZER AS CONTAS

Cid também reconheceu que determinados setores poderão precisar contratar mais trabalhadores ou reorganizar as escalas para atender à nova jornada.

Na avaliação do senador, caberá a cada empresário analisar os custos e decidir como organizar o funcionamento de seu estabelecimento.

“A decisão de ter dois dias ou um dia fechado para não pagar hora extra é uma decisão de cada empresário, e eles vão fazer na ponta do lápis. Ele vai fazer a conta”, afirmou.

Cid citou, como exemplo, restaurantes que tradicionalmente fecham em determinados dias da semana. Segundo ele, cada estabelecimento terá de avaliar movimento, despesas, horas extras e margem de lucro para decidir se é economicamente vantajoso permanecer aberto.

Para o senador, o fechamento de um estabelecimento em determinado dia também poderá abrir espaço para concorrentes que decidirem funcionar.

MUDANÇA SERÁ GRADUAL

Durante a entrevista, Cid ressaltou que a alteração da jornada não será implementada integralmente de uma só vez, destacando que haverá um período de transição, inicialmente com redução de duas horas na jornada semanal e, posteriormente, nova redução até alcançar as 40 horas semanais.

Cid também destacou que a nova regra prevê instrumentos que poderão permitir ao governo criar mecanismos de compensação especialmente para micro e pequenas empresas, consideradas mais vulneráveis ao aumento de custos trabalhistas.

“Na PEC foi aprovada uma previsão, e isso já assegura ao governo os meios legais para fazer compensações para micro e pequenas empresas, que são naturalmente as que vivem maior dificuldade”, afirmou.

O senador citou como uma possibilidade — deixando claro que não se trata de medida já definida — a redução ou compensação de determinadas contribuições incidentes sobre a contratação.

“Não estou dizendo que é o que vai acontecer, mas imagino que um caminho seja através de descontos naquelas obrigações trabalhistas”, declarou.

Cid ressaltou, porém, que não defende retirar direitos dos empregados.

“Óbvio que não vai se mexer nos direitos dos trabalhadores. Mas, naquilo que é previdenciário, de contribuições ao governo, eu acho que é um caminho razoável a ser seguido para atenuar algum custo que possa colocar em dificuldade pequenos e microempreendedores”, afirmou Cid, que foi reeleito para o segundo mandato consecutivo no Senado.

Acompanhe a entrevista na íntegra:

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