'Misantropia': Conselho de Direitos Humanos aciona MPF para apuração de discurso de ódio em falsos alertas da Defesa Civil
Polícia Federal investiga alertas falsos da Defesa Civil O Conselho Nacional de Direitos Humanos protocolou uma representação na Procuradoria da República no Distrito Feder...
POR G1 POLÍTICA
Publicado em 21/06/2026 às 14:42

Polícia Federal investiga alertas falsos da Defesa Civil
O Conselho Nacional de Direitos Humanos protocolou uma representação na Procuradoria da República no Distrito Federal, órgão do Ministério Público, solicitando a abertura de inquérito civil e investigação criminal para apurar discurso de ódio em falsos alertas enviados por um sistema da Defesa Civil.
A medida foi protocolada neste sábado (20) e ocorre após o disparo indevido de alertas extremos na madrugada que atingiram milhões de celulares em diversas regiões do país. Os alertas continham a palavra "misantropia" ou variações. O termo significa aversão à humanidade.
O Conselho também pede a notificação da Defesa Civil para que seja emitida uma "mensagem de contraordem" utilizando o mesmo canal, com o objetivo de esclarecer a população de que o disparo anterior não se trata de um posicionamento institucional e apontar textualmente que a apologia ao discurso de ódio viola direitos humanos e constitui crime.
Para o CNDH, a plataforma de comunicação em massa da Defesa Civil — vinculada ao Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional — foi utilizada indevidamente com potencial de gerar desinformação, insegurança coletiva e pânico social.
Embora o termo predominante nos disparos tenha sido "misantropia", a representação do CNDH afirma que há um agravamento de várias manifestações extremistas no país e vê risco de que canais oficiais sejam instrumentalizados para a difusão de narrativas de ódio.
"O crescimento do discurso de ódio é uma das maiores ameaças à convivência democrática da nossa época. Por isso, qualquer episódio que envolva a utilização de canais públicos para a circulação de mensagens que possam estimular hostilidade, intolerância ou desinformação deve ser tratado com a máxima seriedade", afirmou a presidente do CNDH, Ivana Leal.
"A população tem o direito de confiar nas instituições, e essa confiança só se fortalece quando há apuração rigorosa, responsabilização e defesa intransigente dos direitos humanos", completou Ivana.
O conselho pontua que a apuração deve abranger a origem, redes de influência e eventuais conexões com a disseminação de conteúdo de ódio e radicalização digital.
Além de Ivana Leal, assina o documento o conselheiro Carlos Nicodemos, do Movimento Nacional de Direitos Humanos, coordenador da relatoria especial de Enfrentamento ao Discurso de Ódio, Extermismo e Neonazismo no Brasil.
A Polícia Federal já abriu uma investigação preliminar para apurar o envio dos alertas falsos, que teriam sido provocados por uma invasão ou ataque hacker ao sistema da Defesa Civil.
Mapa das regiões que receberam alertas da Defesa Civil Nacional
Gabriel Wesley Marques Santos/Arte g1