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Ceará / 26.10.2026

“Impossível reconhecer os resultados das eleições”, Flávio diz que irá pedir anulação 

Ex-candidato à Presidência da República, foi precedido por aliados que já vinham descredibilizando os resultados antes da apuração dos votos The post “Impossível reconhecer...

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POR O ESTADO

Publicado em 26/10/2026 às 07:56

“Impossível reconhecer os resultados das eleições”, Flávio diz que irá pedir anulação 
© FONTE: O Estado

Após ser derrotado por Lula (PT) na disputa pela Presidência da República, com 48,22% dos votos válidos contra 51,78% do petista, Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que não reconheceria o resultado da eleição e anunciou que pediria a anulação do pleito.

Em pronunciamento após resultado neste domingo (25), o senador questionou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de prorrogar a votação em duas horas, e alegou que a medida alterou as regras eleitorais no decorrer da disputa.

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“É impossível reconhecer os resultados das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vou pedir a anulação dessas eleições. Não vou aceitar que a regra do jogo tenha sido mudada em cima do jogo”, declarou Flávio.

O senador afirmou que a decisão, tomada às 17h01, teria comprometido a isonomia entre eleitores de diferentes cidades e estados. Também questionou o fato de Zanin não integrar o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e alegou que fiscais do PL foram retirados da sala-cofre após a decisão. Flávio não apresentou, na declaração, provas de que a prorrogação tenha alterado o resultado da eleição.

A manifestação do senador foi precedida por declarações de aliados que também levantaram suspeitas sobre a condução da votação. Antes do encerramento do segundo turno, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) publicou um vídeo em que afirmou: “Ou a gente ganha. Ou a gente ganha. Tá avisado”.

Ele também ameaçou apresentar um pedido de impeachment contra Zanin e, ao ser questionado sobre a possibilidade de o PL contestar o resultado em caso de derrota, respondeu: “Tem alguma dúvida?”. O deputado federal eleito Lucas Pavanato (PL) também criticou a decisão judicial e associou a ampliação do horário de votação a uma possível interferência no resultado.

Nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem criticaram a prorrogação durante uma transmissão em Miami, ao lado do comentarista Paulo Figueiredo. Eduardo afirmou que a medida tinha “cheiro de queimado” e colocou em dúvida a credibilidade do pleito. Ramagem, por sua vez, defendeu que resultados eleitorais considerados “equivocados” fossem contestados. Os dois foram condenados pela Justiça brasileira em processos distintos e permanecem fora do país.

A reação ocorre após uma campanha marcada pela tentativa de Flávio de reunir diferentes setores da direita em torno de seu nome. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), o senador foi escolhido pelo pai, em dezembro de 2025, para representá-lo na eleição presidencial. Advogado, de 45 anos, construiu sua trajetória política no Rio de Janeiro, onde exerceu quatro mandatos como deputado estadual antes de chegar ao Senado, em 2019.

Flávio Bolsonaro

Eleito deputado estadual aos 21 anos, em 2003, Flávio permaneceu por 16 anos na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A segurança pública e a defesa de benefícios para policiais estiveram entre as principais bandeiras de sua atuação.

Em 2016, disputou a Prefeitura do Rio e terminou em quarto lugar, com 424.307 votos, cerca de 14% dos válidos. Dois anos depois, foi eleito senador com 4,38 milhões de votos, no mesmo pleito que levou Jair Bolsonaro (PL) à Presidência.

A trajetória do senador também foi marcada por investigações. No caso conhecido como “rachadinha”. Durante o governo do pai, Flávio ganhou espaço nas articulações políticas em Brasília e atuou como interlocutor do Executivo no Congresso Nacional. Mais recentemente, o senador passou a ser citado em outros episódios de investigações.

O senador é investigado por suspeitas relacionadas ao financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Mensagens e áudios indicam negociações de recursos com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master. Flávio nega irregularidades e afirma ter solicitado apenas patrocínio privado, sem contrapartidas.

2º turno: direita nos estados

Apesar da derrota de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa pela Presidência, candidatos alinhados ao senador venceram as eleições para governador em 15 estados e no Distrito Federal. Entre os eleitos no segundo turno estão Celina Leão (PP), no Distrito Federal; Mailza Assis (PP), no Acre; Lorenzo Pazolini (Republicanos), no Espírito Santo; e Vicentinho Júnior (PSDB), no Tocantins. Os quatro são aliados de Flávio e ampliam a presença desse campo político nos governos estaduais.

PL, PP e Republicanos, partidos alinhados ao bolsonarismo, vão governar 14 estados onde vivem 138 milhões de brasileiros, o equivalente a 64% da população do país. O Republicanos será a legenda com o maior número de brasileiros sob sua administração nos estados a partir de 2027, com 75,7 milhões de habitantes. A sigla venceu no primeiro turno em São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso e conquistou o Espírito Santo no segundo turno.

O PL, por sua vez, governará 51,2 milhões de brasileiros em seis estados: Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Rondônia e Roraima. A legenda também disputou o segundo turno no Amazonas, mas Maria do Carmo Seffair foi derrotada por Omar Aziz (PSD). Entre os aliados de Flávio eleitos para comandar grandes colégios eleitorais estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo; Cleitinho (Republicanos), em Minas Gerais; Luciano Zucco (PL), no Rio Grande do Sul; e Sergio Moro (PL), no Paraná.

Outros governadores ligados ao senador venceram já no primeiro turno: Otaviano Pivetta (Republicanos), em Mato Grosso; Eduardo Riedel (PP), em Mato Grosso do Sul; Jorginho Mello (PL), em Santa Catarina; Dr. Daniel (Podemos), no Pará; Arthur Henrique (PL), em Roraima; e Marcos Rogério (PL), em Rondônia. Daniel Vilela (MDB), eleito em Goiás, também integra o grupo de aliados de Flávio.

Flávio e o Ceará

O Ceará se tornou um dos principais focos de divergência dentro da família Bolsonaro durante a montagem das alianças para as eleições de 2026. A decisão do PL estadual de apoiar Ciro Gomes (PSDB) na disputa pelo Governo do Estado, oficializada em julho, abriu uma crise entre o senador Flávio Bolsonaro e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.

Enquanto ele defendia a aproximação com o ex-ministro, Michelle articulava uma candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Executivo estadual e a indicação de Priscila Costa (PL) ao Senado. A escolha do deputado estadual Alcides Fernandes, pai do deputado federal André Fernandes (PL), para a disputa por uma vaga na Câmara Alta deixou Priscila fora da chapa majoritária.

O impasse ganhou dimensão nacional após Michelle divulgar um vídeo com críticas às articulações conduzidas pelos filhos de Jair Bolsonaro. Flávio e os irmãos Eduardo e Carlos Bolsonaro reagiram às declarações da ex-primeira-dama, expondo o conflito publicamente. Apesar da divergência, o senador manteve o apoio à aliança cearense, e a convenção do PL confirmou a composição com Ciro. 

Em uma das agendas, participou do “Bloquinho do 22”, evento organizado por André Fernandes no entorno da Arena Castelão. Na reta final do segundo turno, a mobilização local ganhou novo impulso. 

A ampliação da rede de apoio incluiu ainda Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza e candidato a vice-governador na chapa de Ciro, que declarou voto no senador nas redes sociais.

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