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Ceará / 25.06.2026

“Hoje ele já está, digamos assim, muito menos resistente”, diz Chagas Vieira sobre Cid

Nome de confiança de Camilo e Elmano comenta diálogos envolvendo Cid, aponta perspectivas do PDT e fala da prisão do filho de Bebeto do Choró The post “Hoje ele já está, diga...

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POR O ESTADO

Publicado em 25/06/2026 às 11:55

“Hoje ele já está, digamos assim, muito menos resistente”, diz Chagas Vieira sobre Cid
© FONTE: O Estado

Por Gabriela de Palhano e Kelly Hekally

Nome de confiança das gestões Camilo Santana (PT), Izolda Cela (PSB) e Elmano de Freitas (PT), Chagas Vieira (PDT) esteve na sede do jornal O Estado nesta quarta-feira (24).

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Recém-filiado ao PDT, o ex-secretário-chefe da Casa Civil está próximo das negociações que ocorrem em torno da construção da chapa majoritária da base governista e, em que pese afirmar não buscar cargo eletivo neste ano, foi acionado pelo seu partido para pré-candidatura a deputado federal, depois de ser citado como possível nome ao Senado.

Em conversa com as jornalistas Gabriela de Palhano e Kelly Hekally após a gravação do sexto episódio do programa Caráter, Chagas, coordenador da campanha de reeleição de Elmano, refutou a tese de que represente uma capa protetiva do senador Camilo Santana, criticou o modus operandi da oposição encabeçada por Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao Governo do Estado, e comentou as definições eleitorais de Elmano e da cúpula do projeto político encabeçado pelo governador.

“Eu diria que estamos no melhor momento do diálogo sobre a chapa. Num momento maduro, em que todos estão começando a entender o lugar de cada um e o que é melhor para o projeto”.

O ESTADO: Quais os riscos da desinformação para as eleições?
CHAGAS VIEIRA: Estamos vivendo hoje em dia, infelizmente, uma falta de pudor. Muita gente que está indo para as redes sociais e mentindo de uma forma descarada. As pessoas começaram a perceber o que é a inteligência artificial e o que ela é capaz de fazer. Essa arma da mentira, da desinformação, serve muito mais hoje. É quase que uma tática da extrema direita.

OE: Há uma crítica de que você seria uma “testa de ferro” do governo, pelos seus vídeos nas redes sociais…
CHAGAS: Essa coisa de testa de ferro não existe, porque sempre fui governo. Fui chefe da Casa Civil.

OE: Como você é da comunicação, parece que fica como papel seu ser mais combativo diante das críticas ao governo…
CHAGAS: Eu estou aqui. O Camilo [Santana] passou três anos e meio em Brasília. O ministro da Educação vem para cá para tá respondendo [as críticas]? Não tem sentido isso, ele tinha outras preocupações lá. Eu estava no governo, tinha que defender o governo. Defendo aquilo em que eu acredito. Não há um plano. Acho que isso é muito mais pela minha característica, pela minha capacidade de comunicação e pelo papel que eu exercia. Se eu tinha a capacidade de comunicação e o respaldo de fazer parte do governo em uma das funções mais importantes, ninguém melhor do que eu também para estar naquela linha e conhecendo. O chefe da Casa Civil conhece todas as áreas. Eu acho tão engraçado que a própria posição fica ‘Ai o Chagas fica me criticando’. Por que que eles estão tão incomodados? […] O que acontece é que essa turma se acostumou a falar, mentir descaradamente e não tinha quem combatesse.

OE: Chagas, você é coordenador da campanha de reeleição do governador. Qual é o seu papel como coordenador no Ceará?
CHAGAS: Organizar, ligar os pontos. Hoje nós temos prefeitos, deputados, lideranças, partidos. Conversar com todo mundo. Meio que ter um ponto de convergência. O Elmano está ligado em fazer a gestão do governo. Faz política, mas ele está lá, o foco dele é esse. Camilo está focado. Ele contribui, faz política, mas está la no Senado. E, pelo conhecimento que eu tenho com todo mundo, pela relação que tenho com todo mundo, passo a ser esse cara que fica juntando as pontas em torno de um projeto, em torno de um objetivo, que é a reeleição de Elmano e a reeleição de Lula.

OE: Ciro fez um evento na semana passada demonstrando que a segurança pública vai ser um ponto forte retórico na campanha. Como vocês estão pensando em tratar o tema da segurança dentro dessa campanha para combater o discurso da oposição?
CHAGAS: Já há algum tempo, a segurança pública é o principal tema. Se você pegar a última campanha, mesmo uma campanha municipal, foi um tema muito muito recorrente. Se você pegar mesmo a campanha de 2022, a segurança foi um tema recorrente. Sempre vai ser um tema recorrente. E, no momento em que a gente vive uma situação, que não é de agora, mas dos últimos anos, da segurança pública no Brasil, sempre vai ser esse tema. Vamos trabalhar com a verdade, com transparência, dizendo que é um fato que realmente existe. Dizer o que é que nós temos feito para combater, quais os resultados que estamos alcançando e os planos que estamos traçando para continuar combatendo. A primeira forma de você combater um problema é você reconhecer que o problema existe. Nós temos que nos esforçar cada vez mais para enfrentá-lo. O que eu posso dizer é que, somente durante o governo Elmano, a gente consegue aumentar, somente no ano passado, em quase 100% o número de criminosos envolvidos em facções. Eu posso dizer que tivemos 5.000 prisões a mais no ano passado. A gente teve uma apreensão, um bloqueio de 3,3 bilhões de reais do crime organizado na Justiça pelo trabalho de inteligência da polícia. E, quando você bloqueia o recurso do crime, você está bloqueando toda a cadeia do crime […] A oposição não reconhece méritos.

OE: Você falou de encarar o problema, dizer que o problema existe. Como o governo está trabalhando para pôr fim à territorialização imposta pelo crime organizado?
CHAGAS: Prendê-los. É isso que tem que fazer. Esse não é um fenômeno só do Ceará. É no Brasil inteiro. Inclusive essas facções foram herdadas, digamos assim, de São Paulo e Rio de Janeiro, que são governos de direita. Por que que não resolveram lá? Por que não está sendo resolvido em São Paulo? […] Quando reduz a violência lá em Goiás, eles dizem ‘Ah, é porque o Caiado está indo bem’. Quando reduz aqui é porque é parceria com facção. Você vai combater isso prendendo e punindo. Só tem essa forma. Quando você está aprendendo 3,3 bilhões de reais, olha o impacto que tem com as facções isso. A gente tem que contratar mais policiais, investir na inteligência. O governador aumentou em 700% o número de pessoas envolvidas em inteligência. Contatou 6.000 policiais. Por outro lado, do lado social, está investindo na juventude, na escola de tempo integral. É isso. Não tem outra coisa a se fazer.

OE: Qual é a perspectiva de espaço hoje do senador Cid Gomes na majoritária?
CHAGAS: Cid e Júnior Mano estão com a reeleição do governador Elmano. Já houve declarações. O que está se definindo é se Cid será candidato ou não. Ele estava meio resistente, mas já senti que está mais tranquilo em relação a isso. Não é nada contra o Júnior Mano. É a favor do Cid, pelo fato de ele já ser um senador, tem um trabalho. Ele é um ex-governador que tem oito anos de governo. Foi um ótimo governador, é um senador, um cara respeitado e agrega. É isso. Se ele disser [Cid] ‘Não, eu não quero’, vamos buscar outras pessoas.

OE: Mas ele já disse “Não, eu não quero”…
CHAG: Ele sempre disse que não estava com disposição, mas disse que ele é um homem de projeto. Ele é um homem de projeto. Você insiste até um determinado ponto. Ninguém vai fazer uma coisa que não quer fazer. Ninguém vai obrigá-lo a ser, porque isso não existe. Ele estava meio cansado, mas hoje ele já está, digamos assim, muito menos resistente. Então, isso tudo está sendo definido.

OE: Cid esteve com correligionários em Sobral e deu declaração de que poderia ser candidato em 2028. Você acha que é uma sinalização de Cid de que tentaria reeleição e, se reeleito, teria um prazo para o mandato, abrindo espaço para seu suplente?
CHAGAS: A eleição agora é estadual e nacional. As divergências locais serão no momento certo discutidas. A gente tem vários locais em que temos oposição e situação do nosso lado. É normal que nos nos municípios haja um um uma divergência, um combate, aquela coisa da política do Interior. Existe muito isso, mas o que a gente fala com todos eles ‘Pessoal, vai ter um momento certo da discussão de vocês aí’. No momento agora a nossa prioridade é a reeleição do Elmano, é a reeleição do Lula. Então, o que o Cid vai fazer em 2028, ainda tem muita coisa para rolar. Não dá para dizer que ele vai ser candidato agora na perspectiva de sair em 2028. A gente ainda não definiu nem como é que vai ser agora em 2026…

OE: Qual deve ser o espaço de Eunício Oliveira dentro da majoritária?
CHAGAS: O Eunício e o MDB são são peças muito importantes na engrenagem da base aliada. Eles estão conosco desde 2018, da reeleição do Camilo, vão estar presente. As posições estão sendo definidas. Por isso que ainda não foi anunciado. Est se discutindo com o Eunício, com o Domingos Filho do PSD, com Chiquinho Feitosa do Republicanos, com o Cid e com o Júnior Mano do PSB, com o André Figueiredo do PDT, tudo isso está sendo discutido. Nada está resolvido em lugar nenhum. No governo federal mesmo está se vendo aí como é que vai ser.

OE- Como estão as apostas no nome do deputado federal André Figueiredo?
CHAGAS: Ele tem tudo para ser reeleito. André é um deputado muito presente, tem trabalho realizado em vários municípios, em Fortaleza, no Cariri, ele circula muito […] O André tem muitas lideranças.

OE: O filho do ex-prefeito Bebeto do Choró foi preso nesta quarta (24) pela PF. Bebeto é do PSB, partido da base do governador Elmano. Vocês receiam que esse caso possa oferecer desgaste ao governo?
CHAGAS: Nós queremos que todos que estão envolvidos sejam presos. A investigação compete à Polícia Federal por ser uma investigação eleitoral. Não tem nada a ver com a Polícia Civil […] O que queremos é que sejam presos independente de onde são.

OE: Fazendo o recorte de uma semana para cá, como estão os encaminhamentos da majoritária?
CHAGAS: Eu diria que estamos no melhor momento do diálogo sobre a chapa. Num momento maduro, em que todos estão começando a entender o lugar de cada um e o que é melhor para o projeto.

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