“Eles estão com chapa na rua, em campanha. O governador Elmano ainda não”, diz Domingos Filho
Presidente do PSD Ceará esteve no O Estado nesta terça (2) para gravação do programa Caráter e falou sobre pretensões na Alece e Câmara e reta final da majoritária The post “Eles e...
POR O ESTADO
Publicado em 03/06/2026 às 12:03
Por Gabriela de Palhano e Kelly Hekally
Em busca de um lugar privilegiado na majoritária de reeleição do governador Elmano de Freitas (PT), o camaleão partidário Domingos Filho (PSD) aguarda o martelo batido das definições entre vice e Senado pela base governista para saber em que posto sua sigla concorrerá. Segundo entrevistado do programa Caráter, do O Estado, o ex-vice-governador do Ceará visitou a sede do jornal nesta terça-feira (2) e conversou com as jornalistas Gabriela de Palhano e Kelly Hekally pouco antes da gravação do videocast.
No diálogo, cuja íntegra segue abaixo, Domingos Filho comenta decisão de Elmano de antecipar anúncio dos nomes que vão compor a “cabeça de chapa”, afirmando ser necessário diante do cenário local; fala que objetiva eleger bancada de seis estaduais; e critica acenos recentes de seu correligionário Ronaldo Caiado (PSD), presidenciável este ano, a Ciro Gomes, pré-candidato ao Governo do Estado. Domingos Filho sinaliza ainda que vai intervir numa eventual decisão de Caiado vir ao Ceará “com flertes” à candidatura de Ciro.
“Se a gente está numa chapa aqui, e o candidato a presidente do partido nosso vai para outra chapa… Se você estivesse nessa chapa, ia fazer o quê?”, respondeu após ser questionado sobre as aparentes divergências de alianças no pleito que acontece em outubro. Analisando composições estaduais pelo Brasil, Domingos Filho defende que “dissidências” são legitimadas pelo fim da verticalização. Ex-deputado também aponta que projeto de reeleição do governador tende a ganhar fôlego quando “estiver na rua”. Confira.
O Estado – Presidente, como está o encaminhamento da chapa majoritária?
Do0mingos Filho – A liderança do processo é do governador Elmano e do senador senador Cid [Gomes] e do senador Camilo [Santana]. Tendo em vista que houve uma antecipação, que não é muito o modelo usual do Ceará, porque sempre leva as decisões para os minutos finais, digamos assim, inclusive com as candidaturas da oposição, com o Novo, com o PSDB e as alianças que ele têm, é razoável que, com isso, o governador Elmano e a base do governo tenham que tomar medidas assim. O PT já lançou a reeleição do governador. E, como a liderança cabe ao governador, é claro que nós, os outros partidos da base, estamos esperando essa condução para que se complete a linha da chapa.
“O mapa político do PSD no Brasil é mais ou menos assim: na região Nordeste tem muitas alianças com o PT, votando com a esquerda. Na região Sul, tem muitas alianças com o PL. Por sermos um partido de centro”
OE – presidente Lula deve vir para cá na segunda metade deste mês. Seu partido tem um candidato nacional. Há algum constrangimento para o senhor?
DF – Com o fim da da verticalização, que houve não só no Ceará, mas em todos os estados, há uma certa necessidade de reorganizar a linha dessas alianças, porque as alianças estaduais são alianças da política local. As alianças nacionais respondem a disputas nacionais, a estratégias nacionais que não necessariamente precisam ser reafirmadas nos estados. Isso não é um caso isolado nosso, no PSD do Ceará. O PSD da Bahia, o PSD do Piauí, por exemplo. O mapa político do PSD no Brasil é mais ou menos assim: na região Nordeste tem muitas alianças com o PT, votando com a esquerda. Na região Sul, tem muitas alianças com o PL. Por sermos um partido de centro, ora têm alianças mais à esquerda, ora as alianças mais à direita. Especialmente num processo que tem um nível de polarização muito grande no país. As eleições de dois turnos existem para isso. Os partidos votam nos seus candidatos nacionalmente, no primeiro turno, e, no segundo turno, aqueles que não foram, naturalmente, é uma outra eleição.
OE – O senhor e o senador Cid passaram, digamos, por uma instabilidade no período da janela partidária. O que estava nesse tabuleiro?
DF – Nós temos partidos. E até a janela, naturalmente, tudo quanto era partido estava buscando se fortalecer. Os deputados, os candidatos, por mais relações que tenham com a gente, vão olhar e procurar, calcular em qual o partido que eles têm mais chance de vencer […] A gente tem que internamente procurar guardar as nossas relações de companheirismo […] Senão daqui a pouco nós estamos criando tensões entre nós. Enfim, chegamos até o final, e graças a Deus estou muito feliz. O nosso partido, por exemplo, tínhamos três deputados estaduais. Os deputados buscaram outros partidos, e conseguimos agregar dois nossos. Ficamos com a mesma bancada. Deputados federais: conseguimos avançar. Nós tínhamos três e conseguimos o concurso da deputada Fernanda Pessoa e do deputado Tiririca, que foi eleito pelo estado de São Paulo, mas voltou para para o estado do Ceará, terra dele […] Perdemos alguns, ganhamos outros, e acho que no todo ficou todo mundo bem.
“Os deputados, os candidatos, por mais relações que tenham com a gente, vão olhar e procurar, calcular em qual o partido que eles têm mais chance de vencer […] A gente tem que internamente procurar guardar as nossas relações de companheirismo”
OE – Quantos candidatos terá a nominata federal do PSD Ceará?
DF – 23 federais e 47 estaduais. Há vários tipos de candidatos […] Para além das candidaturas da política, nós construímos a candidatura das causas. Então, nós temos candidatas que representam o humor, a alegria, a causa animal, da poesia e cultura popular, das causas da negritude, os transtornos emocionais, as instituições […] Nós construímos vários candidatos […] O que é que busca um partido político? Eleger pessoas para representar os diversos segmentos da sociedade. Pegamos o traçado da sociedade e fomos buscar isso […]
OE- Quantos estaduais o seu partido quer fazer aqui no Ceará?
DF – Elegemos três, estamos animados a tentar dobrar essa essa possibilidade, acho que cinco ou seis deputados, na minha opinião.
OE – Caiado fez elogios recentemente a Ciro. Será constrangedor ao senhor caso seu correligionário venha ao Ceará subir no palanque adversário?
DF – Nós estamos aqui em um palanque, em uma composição, e o candidato a presidente do nosso partido podendo estar no palanque do nosso adversário? Como é isso? Esse é um assunto que nós vamos tratar com [Gilberto] Kassab [presidente nacional do partido], que tem muita habilidade, para poder tentar resolver. Mas, para mim, foi uma surpresa e uma precipitação. Mas vamos estar tratando com o presidente Kassab as coisas.
OE – O senhor acha que tem margem para evitar uma vinda de Caiado aqui?
DF – Se a gente está numa chapa aqui, e o candidato a presidente do partido nosso vai para outra chapa… Se você estivesse nessa chapa, ia fazer o quê?
“Nós estamos aqui em um palanque, em uma composição, e o candidato a presidente do nosso partido podendo estar no palanque do nosso adversário? Como é isso? Esse é um assunto que nós vamos tratar com [Gilberto] Kassab”
OE – As pesquisas de intenções de votos mudaram um pouco o curso e colocam o governador Elmano melhor posicionado quando comparada sua pontuação nas anteriores. O senhor acha possível consolidar essa vantagem?
DF – Eles estão com chapa feita na rua, em campanha […] O governador Elmano ainda não. Então, na hora em que o governador Elmano anunciar até o mês de junho, botar o time na rua… Há afirmação do PT de que o candidato é o Elmano, já gera envolvimento, já houve uma reação.
OE – O senhor vai subir aqui no mesmo palanque do presidente Lula quando ele vier aqui?
DF – Se nós estamos no mesmo palanque em que o presidente Lula vai estar, os outros partidos que estiverem dentro de uma chapa majoritária vão estar, eu vou fazer o quê? Uma coisa é o Caiado dar uma declaração, repito, acho que, com toda a maturidade política dele, ele escorregou, mas uma coisa é uma declaração que não sei em que contexto, como foi. Não sei o que é que prometeram a ele. Outra coisa é vir para um palanque específico.
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