“Ele é mais do que ignorado. Ele é rejeitado pelo Ciro”, diz Girão sobre Flávio Bolsonaro
Pré-candidato ao Governo do Estado, o senador Eduardo Girão (Novo) visitou o jornal O Estado nesta quarta-feira (22). Como integrante da ala política conservadora, o parlamentar cr...
POR O ESTADO
Publicado em 23/07/2026 às 02:00
Pré-candidato ao Governo do Estado, o senador Eduardo Girão (Novo) visitou o jornal O Estado nesta quarta-feira (22). Como integrante da ala política conservadora, o parlamentar criticou movimentações de aliados do Congresso, como Flávio Bolsonaro (PL), no Ceará.
No Estado, a sigla do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está no palanque do candidato ao Governo do Estado, cargo eletivo que também está na mira de Girão.
Também crítico ao presidente Lula (PT) e ao que chama de assistencialismo exacerbado, o parlamentar, em entrevista a este jornal, defende a liberdade econômica da iniciativa privada, uma das bandeiras de seu partido, aponta falhas no serviços oferecidos pelo governador do Estado, Elmano de Freitas (PT), chama Davi Alcolumbre de o pior presidente da história do Senado e defende o nome de Romeu Zema, seu correligionário, para a presidência da República. Confira a íntegra.
O ESTADO: Existe alguma divergência pessoal do senhor com o candidato Ciro Gomes (PSDB)?
EDUARDO GIRÃO: Zero. Eu o considero uma pessoa inteligente. Ele é tão inteligente que, apesar de sempre ter sido de esquerda e sempre ter tido muito embate com o PL, com André Fernandes, com essa turma do bolsonarismo, junto com o João Santana, atraiu essa turma por cargo para ter tempo de TV, para ter estrutura, para ter tudo, e vai destruir. A turma não percebeu. Foram engabelados pelo Ciro Gomes, pela inteligência dele. Ele está no papel dele. E eu vou dizer mais: o Ciro Gomes é importante nessa campanha. É legítima a candidatura dele. Quem está errado é quem está se aproximando, quem está negando todo o histórico da direita dos conservadores, das pautas. Porque temos nós, porque tem um movimento que está resistindo a isso. Esse plano do André Fernandes por causa do pai, da vaga do pai para o Senado e tudo, é a liquidação da direita porque o Ciro como líder não vai dar trela para a direita para os conservadores. Isso é histórico.
OE: O senhor acena muito para o movimento nacional do PL, para Flávio Bolsonaro, declarou até que vai votar em Flávio em eventual segundo turno, caso Romeu Zema não avance, mas há uma anuência dessa aproximação entre PSDB, PL e Federação aqui no Ceará do próprio Flávio Bolsonaro…
EG: Ele esteve aqui lançando, mas foi ignorado. Ele é mais do que ignorado em relação ao Ciro. Ele é rejeitado pelo Ciro. É mais grave. Quando o Flávio teve aqui, o Ciro saiu daqui. O Ciro disse que o candidato dele era o Aldo Rebelo, depois o Ronaldo Caiado, depois o Aécio Neves, agora Ronaldo Caiado e Renan Santos. Ele não cogita o Flávio, ele tem rejeição. Ele chamou o Flávio de ladrão. Ele disse que Flávio era ladrão. Tem vídeo dele dizendo que a família toda do Bolsonaro é ladrão, as ex-mulheres do Bolsonaro são ladras. Como é que alguém que se considera o filho do Bolsonaro, que é o André Fernandes, aceita um negócio desse? Acho que está feio, está cheirando mal essa aliança, tanto é que tá gerando tanta polêmica toda semana. É porque não se sustenta. É um pragmatismo burro, não é uma coisa inteligente. É um acordão indecoroso.
OE: O senhor usou a expressão turma do Bolsonaro, mas tem uma aproximação com nomes bolsonaristas a nível nacional. Essa maneira de falar é um demérito ao PL local?
EG: É a turma que sempre esteve, vamos dizer assim, do lado do Bolsonaro. Eu sempre fui independente. Questão de armas de fogo, que era um projeto do Bolsonaro de entregar para todo mundo, de liberar geral, fui um dos que resisti a isso, mas não que eu seja contra as armas de fogo, nunca fui. Eu sou a favor do controle. Se a pessoa tiver em casa ou no comércio para defender a sua família ou o seu negócio, não vejo problema. Desde que passe pelos exames da Polícia Federal. Eu sou a favor da posse, mas eu sou contra o porte. Muitas coisas do Bolsonaro, talvez a maioria, votei a favor, porque vi que era bom para o Brasil. A lei de liberdade e democracia […] É totalmente diferente. Não dá para comparar Bolsonaro com Lula. Errou na pandemia […] Eu sou de direita, conservador, respeito muito o Bolsonaro. O pessoal do PL se relaciona muito bem comigo [no Senado], do Republicanos, do PP, mas eu não sou do grupo.
OE: O seu partido é conhecido pela política neoliberalista. O senhor, no entanto, fala muito sobre assistencialismo aplicado ao seu mandato. Há uma incompatibilidade, digamos assim, ideológica pela própria matriz do partido…
EG: Eu percebo que a minha vida é nisso… Assistência social, muitos trabalhos sociais, mas eu acho que a gente deve estimular as igrejas a fazerem o assistencialismo. Tipo assim, parcerias com igrejas. O Estado é laico, mas pode fazer parcerias. Por exemplo, a Igreja chega aonde o Estado não chega. Tirar pessoas da rua, ajudar as pessoas… O Estado deve fortalecer essa rede com as entidades sociais, filantrópicas. Mas o Estado fazer [não]. No meu modo de ver, está demais. Tem muito viés politiqueiro, de ganhar voto. De instrumentalizar a pobreza das pessoas para se perpetuar no poder. O Estado tem que ficar nas suas atribuições e oferecer segurança pública para as pessoas gratuitamente, mas firme. Não é o que está acontecendo aqui no Ceará, um negócio assim inimaginável. O Estado tem que oferecer saúde de graça para as pessoas, alternativas de escolas. Tem a escola convencional, que deve ser integral, mas por que tiraram a escola cívico-militar? Segundo dados do próprio MEC, ela estava com o ambiente escolar melhor, os alunos estavam aprendendo mais, os professores se sentiam mais seguros e os alunos. Por que o Camilo e o Lula, no primeiro dia de governo, acabaram com isso? Eu fui lá em Maracanaú com o Zema. Ele foi numa escola cívico-militar e vi fila de mães, querendo a vaga.
OE: O que o senhor acha do uso da religião pela direita conservadora?
EG: Acho errado da direita, da esquerda. Você veja o que aconteceu em Barbalha, onde estava o Ciro de um lado da igreja e o Elmano do outro. O padre teve que interromper a missa e dizer ‘Gente, aqui não há lugar para fazer política’. Então, o uso de quem usa está errado. Não vou à Igreja fazer política. E outra coisa: se eu quisesse me aproveitar disso, não diria jamais que eu era espírita. Acredito que parcerias devem ser feitas, porque eles chegam aonde o estado não chega e fazem um trabalho bonito social, mas o uso no púlpito eu sou contra.
OE: Há políticos que fazem política se aliando ao que é mais casuístico a si. O senhor acha que dá para fazer política sem ser desse jeito?
EG: Eu discordo do poder pelo poder. Nunca bateram um prego numa barra de sabão, sempre em cargos, em cargos, mamando no governo. Esse tipo de coisa para não sair desse status, porque talvez não saibam fazer outra coisa ou talvez. Há muitas outras coisas que a gente não sabe ou privilégios. Sou contra a reeleição por causa disso. O prefeito quando chega, um senador, um deputado, ele às vezes deixa de tomar a decisão certa, que sabe que é importante, porque ele vai se desgastar com algum setor da sociedade e perder voto por isso. O Estado vai pagando, vai quebrando…
OE: Qual a opinião do senhor sobre a presidência do senador Davi Alcolumbre?
EG: O presidente da David Alcolumbre, com todo o respeito, é, desde que eu me entendo por gente analisando, o pior presidente do Senado Federal da história. Ele chegou ao ponto de paralisar o Senado recentemente. Esse caso do Banco Master, para mim, tem conflito de interesse porque o tesoureiro da campanha dele e o irmão dele receberam alertas para não mandar 400 milhões de reais para o Banco Master a fundo perdido e mesmo assim fizeram. Davi Alcolumbre, se tivesse respeito ao cargo em que ele está, sairia da presidência e deixaria o vice-presidente abrir a CPI do Master. Eu consegui o requerimento, com 53 assinaturas, e ele não abriu isso no Senado. No Congresso Nacional, ele é o presidente, conseguimos recorde de assinatura de senadores, recorde de assinatura de deputados e entramos. O Davi Alcolumbre tinha o dever de abrir.
OE: O senhor faz um discurso de defesa a Flávio Bolsonaro, que é citado em investigações como alguém que já teve vínculo com Daniel Vorcaro. O senhor vê seu apoio como coerente?
EG: O meu candidato no primeiro turno é o Romeu Zema, que tem enfrentado essa questão do Banco Master. Eu não vejo o Flávio Bolsonaro enfrentar isso. Eu não vejo o Flávio Bolsonaro enfrentar alguns ministros do STF. Essa situação do filme Dark Horse tem que ser investigada. Ele prometeu que em 30 dias dava explicação, já estamos no dobro do prazo e ele não explicou. Acho que o Flávio Bolsonaro deve sim explicações ao povo brasileiro com relação a isso. Acho que é uma um grande equívoco dele, por exemplo, não ter assinado a minha CPI do Banco Master. Só dois da direita não assinaram: ele e Ciro Nogueira. No segundo turno, se for ele e o Lula, eu vou fazer de tudo para que seja o Zema, tem que fazer uma escolha e aí levar em consideração várias coisas que para mim são fundamentais, defesa da vida desde a concepção, legalização de drogas, ideologia de gênero, censura, liberdade de expressão, tudo isso o Flávio ganha do do Lula.
OE: O senhor não acha que seria incoerente com o seu posicionamento já que o senhor também luta contra a corrupção?
EG: Eu luto contra a corrupção, mas aí anulo o voto? Eu acredito que a gente tem que pesar nesse momento, ver que são projetos diferentes, projetos diferentes de verdade.
OE – O senhor se aproximou muito da Priscila Costa. Por quê?
EG: Porque a Priscila Costa é conservadora de verdade, direita de verdade, uma mulher que merece ser respeitada. Ela está sendo escanteada pelo PL aqui. É um conflito muito grande familiar, de interesse. O pai do André Fernandes, o Alcides, não tenho nada contra ele, mas a Priscila está muito mais preparada do que ele para ser senadora. Ela foi parlamentar, voltou agora de novo para a deputada federal e sobe na tribuna, tem uma postura. Tenho certeza de que ela no Senado não seria engolida. O pastor Alcides Fernandes é deputado, é uma pessoa boa, mas a gente não vê uma expressividade, relevância no mandato dele.
OE: O senhor escolheu Priscila para fazer um discurso de oposição ao PL?
EG: Eu sou conservador antes de ser político. Tenho um projeto para acabar com o partido. É a pessoa, não é o partido. Se a Priscila viesse como uma das candidatas, o Alcides um e a Priscila outro, por exemplo, lá na chapa do PL, eu votaria na Priscila.
OE: O Novo Ceará vai para a campanha como independente?
EG: Na política, tudo é possível. Política é muito dinâmica. Têm conversas a nível nacional. E a gente está sempre dialogando aqui. A tendência é de que seja independente, mas pode ser que haja algum tipo de composição, não está descartado não, mas eu trabalho com a ideia da independência. Se vier é um plus.
OE: Quais são os nomes postos hoje para negociação para vice do senhor?
EG: A gente está conversando com duas mulheres. Como eu venho da área da segurança pública e do futebol, tenho uma comunicação muito direta com os homens e vejo que uma mulher é muito importante. Nós estamos aqui com índices de feminicídio absurdo […] A gente tem uma chapa boa, muitos filiados de novo. Não posso te dizer o nome porque não autorizaram, mas a definição é essa semana.
The post “Ele é mais do que ignorado. Ele é rejeitado pelo Ciro”, diz Girão sobre Flávio Bolsonaro appeared first on O Estado CE.